Jornal O Diário
“Sou um soldado, e como tal recebi uma missão a qual não posso virar as costas por vaidades pessoais. Penso que Garotinho era o melhor candidato, o mais experimentado para derrotar Sérgio Cabral. No entanto, por questões políticas, após ele sofrer uma perseguição incidiosa, o partido optou por lançá-lo candidato a deputado federal, cabendo a nós a missão de levar adiante o projeto da legenda de resgatar o processo de desenvolvimento econômico do nosso estado, sem que isso represente o abandono do ser humano, das pessoas, às quais o Estado deve proteger e servir”. Na declaração do engenheiro de produção e professor da Escola de Políticas Públicas e Governo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Ufrj), Fernando Peregrino, ele resume o que o levou a aceitar ser o candidato da coligação A Força do Povo (PR/PT do B) ao governo do Estado do Rio. Até então, o nome natural era o do ex-governador Anthony Garotinho que, estrategicamente, acabou optando pela Câmara Federal.
Peregrino cumpriu agenda em Campos nesta sexta-feira e abriu espaço na agenda para enumerar alguns pontos, do seu programa de governo, abrindo uma série de entrevistas que O Diário programa com candidatos a governador.
Na opinião dele, a política econômica fluminense sofreu um processo de desconstrução. Uma das propostas é fomentar a instalação, no estado, de toda a cadeia produtiva, “da pesquisa à produção de produtos derivados do petróleo”.
Por que o senhor quer ser governador?
Fernando Peregrino – Porque o Rio precisa retomar sua trajetória de desenvolvimento econômico e social construída no governo Garotinho. O governador Sérgio Cabral, infelizmente, interrompeu, quebrou essa trajetória que unia a capital e o interior, que levava os benefícios do progresso e emprego de forma igualitária para todas as regiões do estado.
De que forma o senhor pretende convencer os eleitores de que a opção pelo seu nome é a melhor escolha?
FP – Andar por todas as regiões, por todas as comunidades ao lado do Garotinho, mostrando para o eleitor que a minha candidatura é a melhor alternativa entre as que estão aí apresentadas para governar o nosso estado. Como presidente do Instituto Republicano fui incumbido de liderar a equipe responsável pela formulação do plano de governo do Partido da República. Percorri quase todo o estado, todas as regiões. Conheço, portanto, as principais demandas de cada região. Vou procurar fazer mais e melhor do que foi feito até aqui.
Que programas sociais poderiam ser reeditados na opinião do senhor?
FP - Tenho muito presente na minha cabeça as principais propostas de políticas públicas para solucionar as questões que mais afligem o nosso povo. Quero ampliar a rede de proteção social criada por Garotinho, consolidada por Rosinha e destruída pelo governador Sérgio Cabral. Vou ampliar e retomar o valor nutricional da alimentação servida nos Restaurantes Populares. Quero liderar o processo de retomada de programas como o “Jovens pela Paz” e o “Reservistas da Paz”. Insisto sobre a importância social da expansão das clínicas voltadas para o acolhimento de dependentes químicos. Quantos jovens hoje, infelizmente, sofrem por causa do flagelo das drogas e cujas famílias não têm recursos para custear o tratamento nas instituições particulares. O Estado precisa e deve intervir, criando condições para que essas famílias possam tratar seus filhos, netos e sobrinhos com dignidade. Quero criar um programa importantíssimo, que a Igreja inclusive já o acolheu. As “Mães sociais”. O estado fará o pagamento de uma importância para que suas vizinhas possam ficar tomando conta dos seus filhos, para que elas possam sair para trabalhar despreocupadas, devolvendo assim a dignidade para essas famílias. Ao contrário do governador Sérgio Cabral, que num passado recente qualificou as mulheres grávidas, moradoras das comunidades carentes, como “fábricas de bandidos”.
O que o senhor pensa sobre a segurança. O que pode ser feito?
FP - Temos que promover e incentivar uma política de segurança inteligente, incentivando os bons policiais e agindo com mãos de ferro com aqueles que vierem transgredir a lei. O limite da polícia é a lei. As UPPs não podem ser um cobertor curto. A polícia agora avisa quando e onde irá agir. O cerco aos bandidos está fazendo com que eles migrem para regiões que há até bem pouco tempo não registravam índices alarmantes de violência. Hoje temos áreas onde o tráfico age de forma light, sem a exibição de armas. Mas temos também os bolsões do crime, locais onde a polícia sabe que irá encontrar homens e jovens armados até os dentes. A polícia precisa acompanhar a modernidade. O Estado tem de se preocupar em dotar o aparelho policial de instrumentos modernos que possam fazer frente à evolução natural da criminalidade.
O fato de o seu nome ter sido apresentado ao eleitor na semana do encerramento do prazo para o registro das candidaturas o atrapalha de alguma forma?
FP – Sim, mas era inevitável. Sou um soldado, e como tal recebi uma missão a qual não posso virar as costas por vaidades pessoais. Penso que Garotinho era o melhor candidato, o mais experimentado para derrotar Sérgio Cabral. No entanto, por questões políticas, após ele (Garotinho) sofrer uma perseguição incidiosa, o partido optou por lançá-lo candidato a deputado federal, cabendo a nós a missão de levar adiante o projeto da legenda de resgatar o processo de desenvolvimento econômico do nosso estado, sem que isso represente o abandono do ser humano, das pessoas, às quais o Estado deve proteger e servir.
O que a população pode esperar do senhor quanto à questão da discussão envolvendo a redistribuição dos recursos dos royalties do petróleo?
FP - As emendas de autoria do deputado federal Ibsen Pinheiro e do senador Pedro Simon, ambos pertencentes ao PMDB de Sérgio Cabral, se constituíram num verdadeiro atentado contra a economia do Estado do Rio de Janeiro. As perdas somam R$ 10 bilhões por ano e que deixarão de ser investidos em favor da população do Rio de Janeiro. Os municípios que se beneficiavam dos royalties do petróleo sofrerão uma queda de até 80% nas suas receitas. Vão faltar recursos para a educação, saúde e investimentos sociais. O governador Sérgio Cabral se omitiu e foi desastrado nessa questão tão importante para a região, como para o nosso estado. Eleito, vou fazer como a Rosinha fez com muita propriedade e espírito público. Vou à Justiça, além de mobilizar todos os instrumentos para convencer o Congresso da necessidade de se promover o equilíbrio federativo. Vou transformar o Rio na Capital do Pré-sal. Quero fomentar a instalação em nosso estado de toda a cadeia produtiva, da pesquisa à produção de produtos derivados do petróleo.
O senhor acha que o Rio está no caminho certo para alcançar o pleno desenvolvimento econômico?
FP – A política econômica do nosso estado sofreu um processo de descontinuação. Vou recuperar o ritmo implantado durante a gestão de Garotinho e que levou o Rio a ostentar a segunda renda per capita do país – só perdendo para Brasília. Foi assim que o estado conseguiu atrair os investidores, convencer os empresários a se instalarem em todas as regiões do estado, realizando a verdadeira fusão entre o antigo Estado do Rio e a antiga Guanabara. O governador Sérgio Cabral engavetou todos os decretos e leis que davam incentivos fiscais para que as empresas fossem instaladas aqui no nosso estado. A Schutz em Campos e o Complexo do Açu em São João da Barra, entre tantos outros empreendimentos, são exemplos emblemáticos dessa política vitoriosa concebida por Garotinho e paralisada pela incompetência do atual governo.
Quanto à educação, o que lhe parece o estágio em que o Rio vive hoje?
FP – Vou recuperar o modelo dos Cieps concebido por Brizola e por Darcy Ribeiro. Quero que os alunos voltem a estudar em horário integral, fazendo com que os prédios ocupados pelos Cieps voltem a ser ocupados pelas famílias dos alunos nos fins de semana. Criarei o Centro Universitário do Professor, voltado para o intercâmbio, a qualificação e o ensino de novas e da informação aplicada à educação. Não basta somente distribuir notebooks aos professores como fez o governador Sérgio Cabral. Ele (Cabral) conseguiu colocar o Rio entre os dois piores estados em educação, conforme mostra o ranking do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e do Enem.
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